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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Maionese feita à base de banana verde

Maionese feita à base de banana verde

Cansado de ver as bananas do campus onde estudava se perderem, o universitário Matheus Fernando resolveu criar um projeto para resolver o problema. Após 11 meses de pesquisas, o aluno de  Engenharia de Alimentos do Instituto Federal Goiano, em Rio Verde, sudoeste de Goiás, criou a "bananese", uma maionese feita à base de banana verde. A ideia deu tão certo que ele foi convidado para apresentar a inovação em uma feira na Europa.
Matheus conta que a criação da maionese surgiu por acaso. "Eu desenvolvi o projeto quando estava no terceiro ano do Ensino Médio de técnico em Agropecuária, em outro campus da instituição. A banana era uma das frutas com mais abundância e que perdia muito. Resolvi fazer alguma coisa. A intenção não era fazer a maionese, mas sim alguma coisa com a biomassa da banana verde", explica.
O produto criado tem quatro sabores: pimenta, rosé, orégano e sem condimento. Quem prova diz que é difícil perceber o gosto da fruta no alimento. De acordo com Matheus, a bananese também é recomendada para quem quer perder peso, pois não leva óleo e ovo em sua composição. Para prepara-la é utilizado apenas banana e água.
“É bem difícil chegar o ponto de biomassa porque como a base dela é só banana verde e água a gente tinha que quebrar essa adstringência da banana verde antes de começar a fazer a biomassa", explica.
Feira
No mês de julho, Matheus embarca para a Inglaterra. O sucesso da bananese foi tanto que um instituto de pesquisa brasileiro o convidou para apresentar sua criação em uma feira renomada do país europeu.
"Lá em Londres, a segunda maior universidade, a Cambridge, faz uma feira com 350 melhores projetos de 50 países. Ou seja, eu sou um desses 350. Eu não esperava isso nunca, porque essa feira é a melhor da área”, diz.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Os perigos do glúten. Todos devemos evitar ou podemos ingeri-la?

Uma substância muito abundante no nosso cardápio tem entrado na mira de muitas pessoas que querem emagrecer ou melhorar o bem-estar e a saúde. O glúten é uma proteína encontrada na semente de muitos cereais, como trigo e a cevada. A substância é desconhecida por parte da população, mas já existe uma certa rejeição em relação ao consumo por parte de algumas pessoas. Mas, afinal, o glúten faz mal à saúde? Deve ser evitado? Estes questionamentos foram feitos a especialistas que nos ajudaram a esclarecer essas dúvidas.
O alergista, Francisco Geraldo Sarti de Carvalho, garante que não faz sentido alguém evitar o consumo de glúten sem alguma indicação de profissional de saúde. "Em uma dieta balanceada é fundamental que se tenha os alimentos que são fontes de glúten, como o trigo, que é um ótimo alimento. Aquelas pessoas que não têm intolerância ou alergia ao glúten e nem doença celíaca, podem ingerir sem problema."
Equilíbrio
Simone da Cunha Rocha Santos, presidente da Associação de Nutrição do Distrito Federal e sócia de uma empresa de consultoria em Nutrição e Fitness, esclarece que a superexposição a um alimento pode criar no organismo um pouco de intolerância a ele. "O problema é que a nossa dieta ocidental hoje em dia tem muito consumo de alimentos que tem origem no trigo, ou seja, que tem glúten. Mas é bom salientar que isso não acontece somente com glúten, é bem comum as pessoas que fazem dieta de exclusão do glúten, passarem a todos os dias comer algum outro tipo de farináceo (mandioca, arroz) e essa superexposição pode levar a pessoa a desenvolver novamente uma hipersensibilidade a esse novo alimento, porque como o sistema imunológico dela está com baixa defesa, e o intestino dela já teve danos," explica.
O gastroenterologista, Américo Silvério, compartilha da mesma visão: "O que devemos evitar são dietas desequilibradas, uma dieta muito rica em carboidratos pode trazer algum distúrbio alimentar associado, assim como dieta muito rica em gorduras etc. A não ser que você tenha alguma intolerância ao glúten, essa proteína ingerida dentro de uma dieta balanceada não tem problema nenhum."
Para trazer esse equilíbrio na ingestão de carboidratos, Simone sugere uma quebra de rotina, mas jamais a eliminação completa do glúten. "Temos a opção de comermos tubérculos no café da manhã, como produtos à base de mandioca, mas você não vai ficar o resto da vida sem comer glúten, isso não existe", afirmou a presidente da Associação de Nutrição.
Exclusão do glúten
Simone Santos alerta para o perigo desta exclusão definitiva. "É um crime algumas mães não introduzirem glúten para as crianças maiores de um ano de idade. A mãe deve dar esse alimento no momento certo, porque se ela não der, no futuro a criança pode ser um possível hipersensível ao glúten, porque na época que o sistema imunológico dela estava sendo montado ele não foi exposto àquela proteína."
Toda dieta de exclusão de alguma substância deve ser temporária e com um propósito definido, disse Simone. "Muitas vezes a gente pode tirar o glúten da dieta como uma estratégia de dar um descanso para a pessoa que está apresentando algum desconforto, e depois reintroduzir o alimento o comendo, uma vez por dia, e rodiziando a cada três dias. Muitas vezes só de diminuir o consumo do alimento já dá uma resposta bem legal para a pessoa, principalmente quando se trata de alguns distúrbios gastrintestinais", assegura.
Simone, que também é educadora física, enfatiza que a eliminação do glúten no cardápio não é "para ficar com uma barriga sarada, chapada. Se a pessoa comer só batata, mandioca, mesmo sem glúten ele pode engordar por conta do índice glicêmico destes alimentos". Por isso toda dieta de exclusão, além de temporária, deve ser elaborada por quem tenha um conhecimento muito grande de técnica dietética.
Muitos malefícios atribuídos à ingestão do glúten, principalmente espalhados em vários blogs pela internet, são "fantasiosos", alega Américo. "O glúten deve ser evitado apenas por quem tem alguma intolerância ou alergia ao glúten. Nas outras pessoas ele não vai causar nenhum sintoma. Muitos problemas imputados ao consumo dessa proteína são causados pelo excesso de carboidrato, porque o glúten é mais comumente encontrado em alimentos ricos em carboidratos. Ao contrário do que alguns afirmam, o glúten em si não vai fazer uma aderência, uma 'cola' no intestino", afirma o endocrinologista. Considera ainda que algumas pessoas acabam perdendo peso ao diminuir a ingestão de glúten simplesmente porque o carboidrato – que é calórico – foi cortado da dieta.

Sensibilidade
Francisco salienta que existem três grupos bem definidos de pessoas que enfrentam dificuldade com o consumo de glúten, "o primeiro grupo é o dos intolerantes do glúten, que não têm uma doença propriamente dita; no segundo grupo estão os celíacos, que têm uma intolerância decorrente de alterações imunológicas – a doença celíaca é autoimune –, e apresentam sintomas crônicos mais importantes; o terceiro grupo é o de pessoas alérgicas ao glúten, esses pacientes alérgicos eles podem desenvolver os sintomas digestivos, respiratórios e cutâneos, podendo até ter um choque anafilático".
A doença celíaca ocorre em cerca de 1% da população, e outras enfermidades distintas relacionadas ao glúten tem uma prevalência estimada seis vezes maiores do que a doença celíaca propriamente dita. O alergista indica que todas as pessoas que tem alergias, tanto alimentares quanto respiratórias ou dermatológicas, devem investigar a sua tolerância ao glúten e a diversos outros alimentos, assim como os que têm sintomas digestivos crônicos ou perdem peso inexplicavelmente.
Simone orienta as pessoas que desconfiam do glúten como origem de algum desconforto a jamais eliminarem por si só o glúten do cardápio. A primeira conduta deve ser procurar um profissional de saúde, pois somente um gastroenterologista pode descobrir através de diversos exames laboratoriais se a pessoa é celíaca ou não. "Uma dieta de exclusão do glúten sem determinação médica impossibilita o diagnóstico do nível de sensibilidade ao alimento, e dificultar o diagnóstico da doença de uma pessoa que pode ser celíaca pode acabar com a vida dela, porque se ela consumir uma pizza pode morrer por causa disso", enfatiza.
A nutricionista conta que "uma vez o paciente não sendo celíaco faz-se uma dieta de exclusão para observar se há alteração nos sintomas que ele apresenta. Se ao excluir o glúten não for observado nenhuma mudança, o problema dele pode ser outro, como amendoim, arroz etc... Se com a exclusão do glúten os sintomas melhorarem, o intestino dele será tratado com fibras probióticas e então o alimento é reintroduzido. Essa exclusão pode ser por 20 ou 30 dias. Depois da reintrodução a pessoa vai comer aquele alimento de três em três dias." Simone destaca que comer o mesmo alimento diariamente não é saudável para ninguém.
Correlação com outras doenças
O exagero no consumo de qualquer alimento pode levar o organismo a desenvolver uma hipersensibilidade a algum ingrediente. Francisco lembra que "às vezes uma pessoa sempre teve uma leve intolerância ao glúten, e ao ingeri-lo frequentemente ela tem os sintomas exacerbados na idade adulta".
Embora várias doenças sejam atribuídas ao consumo de glúten, ele não causa problemas nas pessoas que não apresentam qualquer hipersensibilidade ou intolerância à proteína. Mesmo assim diversos estudos científicos demonstram que uma dieta livre de glúten pode fazer parte do tratamento de outras doenças não-celíacas, como autismo, diabetes, artrite reumatoide, enteropatia por HIV, transtornos neurológicos – como TDAH, esquizofrenia e esclerose múltipla –, Síndrome do Cólon Irritável, dermatite herpetiforme e outras doenças complexas.
Simone complementa que alimentos fontes de glúten têm um alto fator inflamatório, e mesmo não sendo o causador de tantos males, ele faz parte da sistemática dessas doenças. Ela ressalta que a dieta de exclusão de glúten não é "modismo", mas serve para tratar as pessoas que tem hipersensibilidade à essa proteína, devido ou não a uma condição de saúde anterior.
"Às vezes a pessoa tem uma enxaqueca há anos e não sabe porque, aí em certo momento ela resolve fazer uma dieta de exclusão de glúten e sente que a dor de cabeça dela diminuiu muito, assim ela pode perceber que tem algum problema com esse alimento", exemplifica a nutricionista. Contudo ela frisa que o principal aspecto em qualquer tratamento é a individualidade: "Tirar leite e glúten não é a solução de todo mundo, a dieta deve ser sempre baseada em exames médicos."
Casos
Poliana Rios, dona de casa, conta que sempre tinha uma sensação de azia e percebia que constantemente sua barriga ficava inchada e a sentia pesada, mas nunca teve o diagnóstico de doença celíaca. Ela confirma que antigamente era acostumada a comer pão, macarrão, bolacha e outros alimentos provindos do trigo.
Em 2005, Poliana deu à luz a João Vithor, seu primeiro filho, e precisou fazer uma dieta restritiva de glúten para amamentar seu filho, que era celíaco. "Eu já sabia que eu era intolerante ao leite e alérgica ao ovo, mas um exame que eu fiz não apontou nada em relação ao trigo", argumentou.
Em 2012 Poliana, que tinha 27 anos à época, precisou novamente fazer uma dieta restritiva para voltar a amamentar João Vithor que estava internado. Após essa segunda fase de dieta restritiva ela tentou retornar ao consumo de derivados de trigo. "Comi um pão francês com margarina sem leite e ainda me senti mal, foi onde eu vi que o glúten me fazia mal também", diz.
A dona de casa conta que hoje em dia tudo em sua casa foi substituído "aqui não entra trigo porque a minha filha Nicole também é celíaca; até se eu comer na rua, qualquer coisa eu já me sinto mal, minha barriga fica doendo até quatro dias depois" narra.
Samantha de Consuello, fisioterapeuta, começou a apresentar desconforto com o consumo de alimentos com trigo somente após a idade adulta. "Quando eu tinha uns 30 ou 31 anos comecei a ter muitos gases e diarreia sempre após as refeições, logo após vieram dores e muito vômito praticamente toda vez que eu comia alguma coisa", relata.
Ela conta que começou a observar os próprios hábitos alimentares, já que ela é alérgica a várias coisas, "meu corpo pode ter tido essa reação por causa de um excesso de glúten que havia no meu organismo, porque naquela época minha dieta tinha muito carboidrato derivado do trigo", assume.
Naquela mesma época a fisioterapeuta fez uma viagem e foi a única que passou mal com o que comia, foi quando ela desconfiou que todo aquele incômodo poderia vir do glúten contido nos carboidratos que ela ingeria habitualmente. "Na internet eu descobri a intolerância ao glúten, e comecei eu mesma, Samantha, a diminuir o glúten da minha dieta. Quando eu diminuí o glúten eu vi que melhorava, sem ele eu não tinha enjoo, fraqueza, mal-estar, nem os gases."
Dieta
Ao chegar de viagem Samantha marcou consulta com um gastroenterologista e continuou sem consumir glúten por quase 30 dias. O gastro a encaminhou para uma alergista que pediu o exame que apontou intolerância ao glúten. A alergista, por sua vez, indicou uma dieta temporária de restrição completa de glúten e recomentou um nutricionista.
"Quando eu vi que eu estava muito boa, eu voltei a comer trigo. Depois disso eu nunca mais tive as crises de antes porque eu fiz uma desintoxicação do glúten. Eu posso até comer pizza, um misto quente, tranquilo… mas se eu passar dois dias repetindo essa dieta eu já tenho uma crise e dou diarreia", relata.
Samantha declara que é bem controlada em sua dieta e acredita que os médicos foram um canal de benção na sua vida, mas ela destaca que sequer precisou ficar retornando frequentemente a esses profissionais porque a sua cura se deu primeiramente a seu Deus, "um Deus vivo que cura, que restaura e que cuida de mim", certifica.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Saiba como preparar o corpo para o inverno

Saiba como preparar o corpo para o inverno

Uma alimentação balanceada ajuda o nosso organismo a se manter equilibrado contra as doenças
Abrahão Hackme
A estação que movimenta os centros comerciais, restaurantes e até mesmo viagens para fora do país, traz também riscos para saúde.
O inverno é tratado como o grande vilão do corpo humano, pois, necessita de muito equilíbrio com a alimentação, exige mais práticas de atividades físicas e cuidados na prevenção contra doenças.
Para uma boa alimentação, nesse período é essencial o consumo de alimentos que ajudam na prevenção de doenças, como: verduras, legumes, frutas e cereais integrais que fazem parte de uma alimentação equilibrada, pois são ricos em vitaminas e minerais.
“No inverno, a alimentação tem que ser saudável e composta de carboidratos que forneçam energia para o organismo, além de proteínas, que servem na construção e manutenção dos tecidos, formação de enzimas, hormônios e anticorpos”, explica a nutricionista, Maralisi Clemente Piloni.
exercícios ; Já com a prática de exercícios, no inverno, é recomendado um mínimo de 30 minutos diários de atividade física, como caminhada, corrida, natação e musculação. A diferença é que, o corpo sofre menos com o calor e desgaste. 
“É importante sempre estar em movimento, evitar ficar parado sem atividade física por mais de uma semana e buscar alimentação balanceada”, esclarece o personal trainer, Marco Aurélio Cegarra.
As doenças mais comuns nesta época do ano são as infecciosas, causadas por vírus e bactérias, principalmente as do sistema respiratório, que afetam a região do nariz, ouvido e garganta, causando febre, cansaço e dor no corpo. 
“Para evitar esses tipos de doenças, é importante lavar sempre as mãos e evitar grandes aglomerações em lugares fechados”, previne o endócrino, Flavio Pirozzi.
prática  /O Advogado Wilson Meirelles Silva de 37 anos, conta que nessa época evita comer salgados e frituras e revela ser da geração “saúde”. “Nessa correria que tenho de escritório, consigo parar para malhar só no fim de noite. Mas tomo todos os cuidados, pois, no inverno costumamos abusar de pratos pesados. Depois de malhar sempre consumo alimentos que tenham vitamina A e C”, conta o advogado.
Alimentação sempre balanceada no inverno 
A alimentação no inverno deve ser balanceada e o consumo de cereais integrais, castanhas, nozes, sementes de linhaça, canela, gengibre, frutas, verduras e legumes variados ajuda a proteger o organismos das doenças. Estes alimentos são ricos em vitaminas A, C, e dentre outras ações, ajudam a manter o corpo sempre saudável.
Período frio aumenta o risco de doenças e até de morte
As doenças no inverno se agravam com a exposição ao frio. Assim como cresce o risco de  infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e arritmias, que podem levar à morte. 
Ficar sem comer pode causar sérios danos
A deficiência de vitaminas causa alterações em órgãos, pele, mucosas, doenças respiratórias, cegueira noturna, boca e olhos secos, dor e sangramento da gengiva, dores musculares e nas articulações, falta de apetite, deficit de desenvolvimento em crianças e fadiga. Evite o excesso de doces, massas, frituras e carnes processadas.
A fisioterapeuta Rosiley Cosenza Dourado, fala dos cuidados e as vantagens dos exercícios no inverno. “A prática de exercícios nessa época ajuda na melhora do apetite e do sono, além de ser saudável e reduzir os riscos à saúde. Isso porque os exercícios e as atividades físicas tornam o coração menos vulnerável a doenças”. Rosiley ainda ressalta a perda de calorias com o frio. “Com o clima mais frio, o corpo irá queimar mais calorias para manter-se aquecido, aumentando seu próprio calor. Desta maneira, as pessoas que pretendem eliminar peso podem beneficiar-se com as mudanças fisiológicas do corpo geradas pelo frio”. Ela finaliza dizendo sobre os tipos de roupas que devem ser usadas. “O ideal é usar roupas leves como calça e casaco de moletom.”

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Exercício físico no calor excessivo

Pingar de suor significa que o corpo luta para manter seus 37 graus Celsius de praxe. A molhadeira nada mais é do que uma Exercício físico no calor excessivoestratégia do organismo para resfriar a pele e, assim, impedir que a temperatura vá às alturas. É por isso que durante o exercício, quando cerca de 75% da energia produzida com os movimentos se transforma em calor, a camisa tende a ficar encharcada. Depois de uma hora de atividade moderada sob o sol, chega-se a perder 1 litro e meio de água. 
 Praticar exercícios quando o clima está quente exige mais do sistema de refrigeração corporal o que pode ser perigoso. O organismo passa a produzir cada vez mais suor. Isso diminui o volume do plasma sangüíneo, comprometendo não apenas o mecanismo de perda de calor, mas também o sistema cardiovascular e a própria capacidade de realizar exercícios, chama a atenção Luiz Oswaldo Rodrigues, fisiologista da Universidade Federal de Minas Gerais. Cãibra, fadiga, tontura e desmaio são sinais de que a temperatura do corpo está passando do ponto.
Ignorá-los é bastante arriscado. O organismo pode sofrer hipertermia ir muito além dos 39° C e parar de funcionar (veja ao lado). Quanto menos condicionada a pessoa estiver, mais rápido os sintomas aparecerão, avisa Rodrigues. Por isso, se você não está acostumado a malhar, não invente de patinar no calçadão, correr na areia ou fazer trekking em pleno meio-dia sem antes se preparar. E, mesmo que seja fã antigo de exercícios, maneire no verão.
As estratégias para o calor e se exercitar numa boa 
Para evitar problemas ao malhar no calor do verão, a primeira medida é diminuir o ritmo. A intensidade e a duração da atividade física devem ser menores, aconselha o fisiologista Paulo Zogaib, do Centro de Medicina Preventiva e do Esporte do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Fuja, claro, dos horários mais quentes do dia, com sol a pino. Outro cuidado importantíssimo é a hidratação, que precisa ser feita antes, durante e depois do exercício. O certo é beber água mesmo sem sentir sede, afirma Laíra Campêllo, especialista em Medicina do Esporte da Universidade Federal de São Paulo. Tenha como referência a orientação médica: tomar cerca de 300 mililitros de água (um copo grande) a cada 20 minutos de atividade física. Assim, você repõe o líquido e os sais minerais perdidos durante a transpiração. Daí é mais difícil sofrer cãibras, visão turva e mal-estar.
Quem preferir pode tomar bebidas isotônicas, mas sem achar que, por causa disso, estará mais protegido. Só os atletas têm benefícios trocando a água por esses preparados, desmistifica Laíra. E, claro, nunca é demais avisar que a cerveja, tão querida pelos brasileiros no verão, não serve para reidratar o corpo. A ação diurética da bebida faz com que a pessoa perca mais líquidos do que ingeriu, piorando o quadro, alerta Paulo Zogaib.
Quem pratica atividade física na piscina sofre menos desconforto, desde que não entre na água aquecida um risco e tanto. Em poucos minutos a pessoa pode ter hipertermia, pois a troca de calor com a água é quatro vezes mais rápida do que com o ar, avisa Cláudia Forjaz, professora de fisiologia da Universidade de São Paulo. Já procurar espaços ventilados para se exercitar ajuda e muito. O contato com o ar mais frio resfria a pele, explica a fisiologista. Um parque cheio de árvores, com vento e sombra de sobra, é o cenário perfeito para mexer o corpo na época mais quente do ano.
Com que roupa? 
Tirar a camisa para malhar não alivia o calor. A radiação do sol direto na pele esquenta ainda mais, destaca Cláudia Forjaz. Não é à toa que jogar vôlei na praia apenas de sunga ou biquíni cansa um bocado. Para se proteger, o ideal é usar roupas claras elas refletem os raios solares e leves. Se o calor for muito intenso, vale molhar com água uma camiseta de algodão. Outra opção é vestir um daqueles tecidos hi-tech com mecanismos que facilitam a transpiração. Alguns têm furinhos em formato de cone que auxiliam na evaporação do suor, conta Zogaib.
Além dos limites de segurança 
O que pode acontecer se você não tomar cuidado ao se exercitar no calor 
Cãibras 
A perda de sais minerais na transpiração perturba o chamado equilíbrio eletrolítico, que garante o bom funcionamento dos músculos. Daí surgem os espasmos, mais freqüentes no abdômen e na panturrilha (batata da perna).
Síncope 
Na falta de bons goles de água ou suco para reforçar a hidratação, o volume de sangue diminui. A pressão arterial cai, gerando fraqueza generalizada, tontura, palidez e desmaio.
Exaustão 
Se o volume sangüíneo cai demais, o sistema cardiovascular não consegue garantir o fluxo de sangue para todo o corpo e entra em pane. As células em geral ficam desidratadas, o que provoca descoordenação, vertigem, dor de cabeça, náuseas e vômito.
Choque térmico 
Se a desidratação é intensa, o suor diminui e a pele fica seca e quente. A temperatura ultrapassa os 39° C e danifica os mecanismos termorreguladores. Há risco de morte.
Primeiros socorros 
- O que fazer para brecar o processo de hipertermia
- Remova a pessoa para a sombra ou para um local com ar refrigerado;
- Retire as roupas e resfrie o corpo dela com ventilador ou compressas de água gelada, começando pela cabeça;
- Se a pessoa estiver lúcida, force-a a ingerir água, soro caseiro ou suco de frutas;
- Mantenha os pés elevados acima da cabeça;
- Não use antitérmicos;
- Monitore a temperatura. Se estiver acima dos 39° C, é hora de correr para o hospital.
Problemas são maiores em lugares úmidos 
O ideal é deixar o organismo se acostumar ao ambiente antes de começar a se exercitar. Além da temperatura, o corpo precisa se acostumar à umidade relativa do ar, que varia de cidade para cidade. Ambientes muito úmidos dificultam a evaporação do suor, esclarece o fisiologista Luiz Oswaldo Rodrigues, da Universidade Federal de Minas Gerais. Resultado: mesmo com o rosto molhado, a pessoa não consegue abaixar a temperatura corporal. Em locais muito secos, também há riscos, pois a perda de água é extremamente rápida. Daí a importância da aclimatação deixar o corpo se acostumar com essas variáveis antes de partir para a ação. Durante viagens, é bom esperar uns três dias para retomar a rotina de exercícios, indica Rodrigues. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Pará é o estado mais quente e úmido do país. O campeão da secura é o Ceará. Apesar do calor, o Rio de Janeiro costuma ter umidade na medida certa.
Os mecanismos para esfriar o corpo 
Entenda como o organismo reage diante do calorão 
Suor 
O hipotálamo, região do sistema nervoso, estimula as glândulas sudoríparas a retirar água e sais minerais do plasma sangüíneo para jogá-los na pele através dos poros. Ao entrar em contato com a pele quente, o suor se evapora, o que ajuda a dissipar o calor. Por isso, se você enxugar o suor, impedindo que haja a evaporação, vai continuar esquentando.
Vasodilatação 
Há sensores de temperatura por toda a pele. Eles avisam ao cérebro que o corpo está aquecido. Ao receber essa mensagem, o hipotálamo aumenta o fluxo sangüíneo nas regiões superficiais do corpo para que o sangue se resfrie é por isso que o rosto fica avermelhado. Daí, mais fresco, o sangue circula pelo organismo ajudando a abaixar sua temperatura.
Fonte: Revista Saúde

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Farinha de maracujá: fibras para controlar o colesterol e o diabetes


Na onda das farinhas funcionais, a feita com a casca de maracujá foi uma das pioneiras: existem estudos sobre ela desde 1998. Ela é feita a partir da parte branca da casca, que é a porção mais rica em nutrientes, como a fibra pectina, a vitamina B3 (niacina), ferro, cálcio e fósforo. Acredita-se que a maior parte desses nutrientes se preserve na preparação da farinha, o que dá a ela propriedades importantes para nossa saúde, como redução dos picos glicêmicos. E ainda por cima, ela naturalmente não contém glúten. Conheça seus principais benefícios e veja se vale a pena incluir esse alimento na dieta.

Principais nutrientes da farinha de maracujá

Nutrientes (100 g)Suco de maracujáCasca de Maracujá
Proteínas1,26 g0,93 g
Carboidratos8,8 g1,76 g
Gorduras0,23 g0,23 g
Fibras0,51 g5,2 g
Vitamina C21 mg20 mg
Carotenoides24,7 mg2,85 mg
Potássio0,26 mg0,58 mg
Fonte: Tabela do estudo "Valor Nutricional de Partes Convencionais e Não Convencionais de Frutas e Hortaliças" da UNESP
Uma das maiores características da casca de maracujá é a maior quantidade de fibras. Ela chega a ter 10 vezes mais esse nutriente do que o suco feito com a polpa. E a principal fibra é a pectina, que se transforma em um gel no estômago e traz diversos benefícios à saúde. 
Ela ainda é rica em potássio, tendo duas vezes mais do que o suco. Também contém mais vitamina B3 (niacina), ferro, cálcio e fósforo, nutrientes que se preservam quando ela é transformada em farinha. 
Não existe uma tabela nutricional oficial da farinha de maracujá, já que sua composição pode variar de acordo com o fabricante. Um estudo brasileiro, porém, mapeou a quantidade alguns nutrientes, que listamos na tabela abaixo: 
Nutrientes (30 g)Farinha de Maracujá
Carboidratos6,33 g
Proteínas1,8 g
Gorduras0,63 g
Fibras18,6 g
Fonte: "Estudo da Secagem da casca do maracujá amarelo", Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.12, n.1, p.15-28, 2010 - Convertido para 30 gramas
A farinha não apresenta quantidades grandes dos principais macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), porém é rica em fibras. A recomendação diária desse nutriente é de 25 gramas, e em 2 colheres de sopa do alimento (ou seja, 30 gramas, sua quantidade máxima indicada) encontramos 18,6 gramas de fibras, ou seja, 74% da quantidade diária recomendada. São elas que vão trazer a maior parte dos benefícios desse ingrediente. Veja qual porcentagem do Valor Diário* de alguns nutrientes que a farinha de maracujá oferta:
  • 74% de fibras
  • 3,5% de proteínas
  • 2% de carboidratos
  • 1% de gorduras.
* Valores Diários de referência para adultos com base em uma dieta de 2.000 kcal ou 8.400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas.

Benefícios da farinha de maracujá

Promove saciedade e emagrece Todas as fibras ajudam a promover a sensação de que se comeu o suficiente em uma refeição. Porém, as contidas na farinha de maracujá são especiais: é a pectina, uma fibra do tipo insolúvel. Na verdade sua maior função é absorver líquido e então se tornar um gel, capaz de reter por mais tempo o bolo alimentar no estômago e intestino, pois torna mais lenta a absorção dos nutrientes nele contidos. O resultado é a sensação de saciedade por mais tempo, evitando um maior consumo calórico. 
Por ser feita com a parte branca da casca do fruto, a farinha de maracujá contém muito mais fibras do que o suco
Um dos nutrientes que tem sua absorção mais lenta graças às pectinas é a glicose, que é liberada em doses pequenas no sangue. O resultado disso é uma produção menor do hormônio insulina, responsável por colocar o açúcar do sangue para dentro das células. O problema é que ela ativa a deposição de células de gordura no tecido adiposo, aumentando esse tipo de massa no nosso corpo. 
Um estudo feito na Universidade da Paraíba com 17 mulheres incluiu na alimentação delas a farinha de casca de maracujá por 70 dias. Nesse período elas apresentaram uma redução no peso de até oito quilos, mas inserindo o alimento em um cardápio balanceado e com atividades físicas regulares. 
Previne o diabetes A redução dos picos glicêmicos e da produção de insulina é benéfica. Quando o hormônio é produzido e liberado no corpo em grandes quantidades, alguns tecidos e órgãos começam a reduzir sua resposta a ele, sendo preciso mais insulina para armazenar a mesma quantia de glicose. Esse processo é um quadro chamado de resistência a insulina, que se não for revertido, pode evoluir para diabetes do tipo 2
No caso de quem já tem o quadro, quanto mais picos de glicose no sangue, pior seu estado fica. Portanto, o consumo dessa farinha ajuda a ter um equilíbrio de açúcar no sangue, estabilizando o problema. Um estudo foi publicado em 2008 na Revista Brasileira de Farmacognosia, feito com 60 pacientes que consumiam 30 gramas da farinha ao dia, sendo que 59 tomavam algum medicamento para o problema. Os estudiosos concluíram que uma das vantagens da farinha é que seu consumo já mostra mudanças na glicemia desde os primeiros meses de uso, portanto ele pode ser um bom aliado de tratamentos tradicionais para diabetes
Melhora as taxas de colesterol e de triglicérides O mesmo estudo conduzido pela Universidade da Paraíba demonstrou que as 17 mulheres não só perderam peso, como obtiveram uma redução nessas duas taxas, que estavam inicialmente acima do normal. O efeito se deve também ao gel formado pela pectina, que não só reduz a absorção do colesterol como também se liga a essa gordura, fazendo com que ela também seja eliminada no fim da digestão. 
Colabora com a digestão Todo alimento rico em fibras auxilia na digestão, por facilitar a passagem do bolo alimentar pelo intestino grosso, otimizando o trânsito intestinal. Além disso, elas são fermentadas nos intestinos, processo que estimula a microbiota (antes conhecida como flora intestinal), bactérias do bem que ajudam na nossa digestão. Por fim, a presença de vitamina B3 nesse alimento ajuda a proteger as paredes do estômago, ajudando também nesse processo. 

Quantidade recomendada de farinha de maracujá

O recomendado é consumir entre 1 e 2 colheres de sopa dessa farinha nas principais refeições, como almoço e jantar. 

Como consumir a farinha de maracujá

A farinha de maracujá pode ser usada em receitas e consumida com frutas e outros alimentos
Ela pode ser consumida cerca de 30 minutos antes das refeições, para trazer saciedade e evitar o exagero ao comer. Mas também pode ser consumida nas preparações, polvilhada em frutas, dissolvida em sucos, batidas de frutas, iogurtes, sobre os alimentos, entre outros. Só não é indicado levá-la ao fogo, pois ainda não há estudos que garantam que essa exposição extra ao calor não altere suas propriedades e a textura dos alimentos. 

Contraindicações

Não existem contraindicações ao consumo desse alimento, apenas indicasse seguir uma dieta equilibrada para ter melhores efeitos. Em uma das pesquisas já realizadas com a farinha da casca de maracujá, voluntários receberam a farinha a fim de testar sua toxicologia clínica e não demonstraram sinais de toxicidade.

Risco do consumo excessivo

Quando consumida em excesso, a quantidade de fibras pode acabar causando diarreia, distensão abdominal e vômitos. O consumo feito por crianças, gestantes e lactantes deve ser realizado sob supervisão médica. 

Onde encontrar

A farinha de maracujá pode ser encontrada em alguns supermercados e em lojas de produtos naturais. É possível também comprá-la pela internet, mas cuidado para escolher lojas e marcas confiáveis.

Como fazer a farinha de maracujá

Coloque seis maracujá de molho por 15 minutos em um litro de água com 1 colher (sopa) de água sanitária. Depois, lave-as em água corrente e retire as polpas. Corte as cascas em tiras e leve ao forno médio por meia hora. Após esfriar, bata no liquidificador até virar farinha. Peneire e guarde em um recipiente com tampa e consuma em até três meses. Aproveite e guarde a polpa para fazer um suco natural! 

Receitas com farinha de maracujá

Suco relaxante de maracujá - Imagem Ilustrativa
Agora que você já sabe tudo sobre a farinha de maracujá, já pode testar colocá-la em receitas. Veja algumas para começar: 



Fontes consultadas
Nutricionista Amanda Buonavoglia, especialista em nutrição clínica funcional
Nutricionista Pâmela Medeiros, do Instituto de Pesquisas Ensino e Gestão em Saúde (IPGS) 




Má alimentação está ligada à depressão em mulheres


Mulheres cuja dieta inclui mais alimentos inflamatórios, como bebidas açucaradas, refrigerantes, grãos refinados, carne vermelha e margarina, além de pobres em alimentos anti-inflamatórios, como vinho, café, azeite de oliva e verduras e vegetais verdes e amarelos têm um risco maior de sofrer com depressão. É o que afirma um estudo realizado por pesquisadores da Harvard School of Public Health (EUA). O trabalho foi publicado online em 01 outubro de 2013 na revista Brain, Behavior, and Immunity. É um dos estudos mais completos até à data sobre alimentação e depressão.


Por mais de 12 anos, os pesquisadores conduziram um estudo de 43.685 mulheres com idades entre 50 e 77 anos, todas participantes do Nurses' Health Study. Nenhuma delas tinha diagnóstico de depressão no início do estudo e 10.340 mulheres foram excluídas do acompanhamento por apresentarem sintomas depressivos. Os autores acompanharam os padrões alimentares das mulheres e rastrearam vários biomarcadores de inflamação através de exames de sangue. Eles documentaram 2.594 casos de depressão usando uma definição rigorosa (um diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos) e 6446 usando uma definição mais ampla (um diagnóstico de depressão e/ou o uso de antidepressivos).

Os cientistas descobriram que mulheres que bebem regularmente refrigerantes, comiam carne vermelha ou grãos refinados - além de consumirem raramente e vinho, café, azeite e legumes - eram de 29% a 41% mais propensas de ser deprimidas do que aquelas que fizeram uma dieta menos inflamatória. Pesquisas anteriores sugeriram uma ligação entre a inflamação e a depressão, mas a associação entre o padrão alimentar inflamatório e depressão era desconhecida. Estudos têm relacionado inflamação excessiva a doenças cardíacas, AVC, diabetes, câncer e outras condições.

Segundo os autores, é importante considerar a relação dieta geral com risco de doença, e não apenas os nutrientes ou alimentos isolados. Eles afirmam que os alimentos são consumidos em conjunto, e os seus efeitos combinados não podem ser prevista a partir da análise única. Os estudiosos completam dizendo que o a abordagem adotada na pesquisa permitiu analisar as ações combinadas de alimentos, refletindo melhor a complexidade da dieta

Conheça o cardápio e os hábitos que favorecem a depressão


A depressão é uma doença que afeta mais de 350 milhões no mundo, de pessoas de todas as idades, gêneros e etnias, sendo a causa de mais de 850 mil suicídios por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. O órgão estima que a doença se torne a mais comum do mundo nos próximos 20 anos. Por se tratar de uma doença causada pela combinação de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociológicos, seus hábitos diários interferem diretamente no aparecimento da doença. E não é só o estresse ou a falta de sono que afetam o seu emocional - aquilo que você coloca no prato também pode estar deixando seu organismo mais vulnerável a essa doença. Muitas pesquisas científicas comprovam que alguns hábitos alimentares podem aumentar as chances de depressão. 



Veja o que dizem os especialistas:


Muita gordura trans pode afetar os neurônios

O consumo exagerado de gorduras trans está diretamente relacionado a um maior risco de depressão, de acordo com um estudo desenvolvido pelas universidades de Navarra e Las Palmas, ambas espanholas. Os pesquisadores analisaram o estilo de vida de 12 mil voluntários ao longo de seis anos e descobriram que os participantes com um consumo elevado de gorduras trans apresentaram até 48% de aumento no risco de depressão, quando comparados com participantes que não consumiam esses produtos. Os autores também notaram que quanto mais gorduras trans eram consumidas, maiores os efeitos negativos produzidos nos voluntários.

"Isso acontece porque o excesso de gorduras trans e saturadas em nosso organismo aumentam a produção de citocinas, moléculas pró-inflamatórias que pode desencadear o mau funcionamento dos neurônios", explica o nutrólogo Roberto Navarro, da Associação Brasileira de Nutrologia. As citocinas interferem na transmissão nervosa e podem diminuir a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar - e baixos níveis dessa substância estão comprovadamente relacionados com a depressão.

Baixos níveis de vitamina D

Pesquisadores do UT Southwestern Medical Center (EUA) encontraram uma ligação entre baixos níveis de vitamina D e depressão. Foram examinados os resultados de quase 12.600 participantes de diversos estudos feitos entre 2006 e 2010. Depois de cruzarem os dados, eles descobriram que níveis mais elevados de vitamina D estavam associados a um declínio significativo do risco de depressão, em especial entre pessoas que já possuíam um histórico da doença. A vitamina D pode ser obtida pelo consumo de alimentos fonte do nutriente e pela exposição à luz solar.

O psicólogo Lucio Novais, da Associação Brasileira de estresse, explica baixos níveis de vitamina D no corpo estão diretamente relacionados com a falta de exposição ao sol, já que o nutriente é sintetizado pelo nosso corpo quando estamos expostos à luz solar. "Quando você toma sol, ocorre a liberação de alguns hormônios, como cortisol, que contribui para o alívio do estresse e da ansiedade, além de regular outros hormônios essenciais ao bem-estar físico e mental." Bastam 10 a 15 minutos de contato com a luz do sol, de duas a três vezes por semana, evitando a exposição entre as 10h e 16h, para obter tais benefícios. Os principais alimentos fontes de vitamina D são sardinha, ovos, fígado de boi e iogurte.

Jejum prolongado

Segundo a psiquiatra Renata Bataglin, do Hospital e Maternidade São Luiz, ficar muito tempo em jejum pode atrapalhar o funcionamento do organismo e favorecer a depressão. ?Esse hábito altera os níveis de glicose no sangue, podendo deixar a pessoa mais predisposta a ter depressão", explica. Ela recomenda se alimentar de três em três horas e incluir no cardápio alimentos fontes de triptofano, um tipo de aminoácido que ajuda na produção de serotonina. "Como a depressão está relacionada à baixa serotonina, o ideal é a pessoa ingerir maiores quantidades de triptofano, presente em frutas como banana, melancia, mamão e abacate", afirma a médica do Hospital São Luiz.

Consumo de fast food

Ingerir com frequência fast food pode afetar negativamente a saúde mental de um indivíduo. A afirmação é baseada em um estudo que envolveu 8.964 participantes e foi desenvolvido pelas universidades de Las Palmas e Navarra, na Espanha. Os resultados mostraram que ingerir fast food pode aumentar em 51% o risco de desenvolver depressão. "Além das gorduras presente nesses alimentos, pessoas que comem fast food em excesso no geral cultivam outro hábitos que favorecem a depressão, como sedentarismo, tabagismo e baixo consumo de frutas e legumes", afirma o nutrólogo Roberto Navarro.

Chocolate pode piorar um quadro depressivo

Um estudo publicado na revista científica Archives of Internal Medicine avaliou 900 pessoas e relacionou seu consumo semanal de chocolate com o estado de humor de cada uma. Os cientistas ofereceram duas a três porções de chocolate por dia aos voluntários durante uma semana, sempre depois de colocá-los em situações limite que os deixava estressados e melancólicos, como filmes e simulações. A conclusão foi que as pessoas deprimidas consumiam 55% mais chocolate que as outras. Após o término da avaliação, constatou-se que dos 900 voluntários, 700 apresentaram um efeito rebote causado pelo chocolate, e 430 deles mostraram-se bastante melancólicos a cada rodada de consumo. "A pessoa deprimida consome grandes quantidades de chocolate porque ele eleva o nível de serotonina no cérebro, o problema é a glicose presente no doce também aumentaria a produção de insulina, elevando a pessoa a um estado de euforia, seguido de tristeza", diz o psicólogo Lucio. O resultado é um consumo ainda maior do doce, o que levaria ao recomeço do ciclo depressivo.

Refrigerante diet ou normal

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde da Carolina do Norte (EUA) verificou uma possível ligação entre o consumo de bebidas diet e um maior risco de depressão. Os autores analisaram os dados de 264 mil pessoas com mais de 50 anos de idade durante dez anos. A análise revelou que pessoas que bebiam mais de quatro latas ou copos de refrigerante diet por dia tinham um risco cerca de 30% maior de desenvolver depressão do que aqueles que não ingeriam esse tipo de bebida. Quem bebia refrigerante tradicional apresentou um risco 22% maior. Os especialistas afirmam que os refrigerantes são ricos em substâncias que podem interferir nas atividades do nosso organismo de forma negativa, favorecendo o aparecimento de doenças como depressão.

Desordens alimentares

Um estudo desenvolvido na Harvard Medical School (EUA) revelou que meninas adolescentes com alguma desordem alimentar - como anorexia, bulimia e compulsão alimentar - têm uma probabilidade maior de ter depressão do que as que mantêm hábitos alimentares saudáveis. A análise contou com a participação de quase cinco mil jovens do sexo feminino entre 12 e 18 anos. Os resultados apontaram que meninas adolescentes que sofriam de alguma desordem alimentar tinham um risco duas vezes maior de ter depressão. O psicólogo Lucio explica que a insatisfação com o corpo pode levar tanto à depressão quanto aos transtornos alimentares. "Além disso, uma alimentação desregrada, que seja compulsiva e rica em gorduras ou insuficiente, irá favorecer esse quadro."

Alimentos industrializados

Um padrão alimentar baseado em carnes processadas e aditivos alimentares (corantes, conservantes etc.) dobra o risco de depressão na meia idade. A afirmação é de um estudo publicado no British Journal of Psychiatry e desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da University College, em Londres, e do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica de Montpellier, na França. O estudo avaliou 3.500 homens na faixa dos 55 anos e descobriu que quanto mais rica em alimentos industrializados era a dieta do indivíduo, maior era o risco de ele sofrer depressão ? aqueles que comiam doces, frituras, carne processada e gorduras trans seis ou mais vezes por dia tinham o dobro do risco de desenvolver a doença.

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