quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Controle do Stress

Jogar xadrez, dama, dominó ou montar um quebra-cabeça pode ser mais que um passa tempo. Atividades de raciocínio lógico como essas podem ajudar também a aliviar o stress do dia a dia. 

Segundo a especialista em terapia comportamental e cognitiva pela USP, Maria de Lourdes, essas atividades exercem uma relevante função na neuróbica - exercícios para o cérebro. "Elas ajudam na manutenção da memória, da atenção e da concentração", diz. Além disso, a psicóloga acredita que os jogos de tabuleiro favorecem os relacionamentos interpessoais, pois exigem uma socialização com os adversários ou parceiros. 

Porém, Maria de Lourdes ressalta que participar de atividades como essas não garante a eliminação do stress. “Quando você faz algo que lhe dá prazer, você muda a produção química do cérebro. Isso vai aliviar por um tempo, porém não vai resolver o seu problema.", afirma. Isso porque, apesar do alívio momentâneo, ao chegar ao fim de uma partida, a pessoa pode retomar o estado de tensão anterior. “Os jogos ajudam, mas tiram o foco apenas temporariamente. O que ela precisa fazer é identificar as fontes estressoras para, desta forma, eliminá-las totalmente da sua vida”. 

A psicóloga explica ainda que qualquer prejuízo à saúde física ou mental, que jogos como estes podem desencadear, é causado pelo exagero. “Tudo em excesso faz mal, o risco do vício é algo relativo. Não é todo jogador que se torna dependente. Normalmente, há uma predisposição biológica associada à prática comportamental que leva o praticante de atividades ou hobbies ao vício”, finaliza. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cuca fresca: veja dicas para evitar crises de enxaqueca

Boa parte da população mundial sofre de enxaqueca, a mais comum das dores de cabeça. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a moléstia é a 19ª que mais incapacita o ser humano. Sua prevalência no Brasil é de 15%, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia, e representa 35% das consultas neurológicas. A enxaqueca é três vezes mais comum nas mulheres do que nos homens e, embora não tenha cura, é possível conviver com ela e evitar as crises. 

O estresse da vida moderna muitas vezes enche a cabeça de preocupações e prejudica a qualidade de vida. Além disso, alimentação desregrada, abuso de bebidas alcoólicas, repouso insuficiente e, nas mulheres, oscilações hormonais cíclicas são fatores que, associados ou não a uma predisposição familiar, podem funcionar como gatilhos para crises de enxaqueca. 

Embora a real causa da enxaqueca ainda seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos e do cotidiano estejam associados à sua etiologia. Uma das hipóteses sugere possíveis alterações em regiões do tronco cerebral responsáveis pelo controle da dor, e em suas conexões com o nervo trigêmeo, principal via que conduz estímulos dolorosos provenientes da cabeça. Essas alterações baseiam-se em um desarranjo dos neurotransmissores, incluindo a serotonina, um dos mediadores envolvidos na regulação da dor no sistema nervoso. "A serotonina está diminuída nas crises de enxaqueca, o que pode levar à liberação de substâncias chamadas neuropeptídeos pelo nervo trigêmeo, desencadeando todas as mudanças cerebrais e neurovasculares que ocorrem na enxaqueca", explica o neurologista Aurélio Dutra, coordenador do Centro Diagnóstico Integrado de Neurologia e Medicina do Sono do Fleury Medicina e Saúde. 

ReproduçãoEnxaqueca é sinônimo de dor de cabeça? 

A dor de cabeça ou "cefaleia" é um sintoma que pode ter diversas etiologias, ou seja, pode ser desencadeada por diversos fatores. A enxaqueca é um dos tipos de dor de cabeça, com mecanismos próprios. Com base na descrição clínica e nos sintomas associados, é possível fazer o diagnóstico de enxaqueca. 

Quem tem esse tipo de cefaleia, habitualmente descreve a dor como pulsante ou em pontadas, acometendo um dos lados da cabeça, podendo, contudo, afetá-la por inteiro. A dor varia de moderada – quando causa incômodo e atrapalha as atividades do dia a dia – a intensa, capaz de impossibilitar as suas atividades diárias. Associada à dor, é comum que essas pessoas refiram sensibilidade à luz (fotofobia) ou ao som (fonofobia). Além disso, as crises podem vir acompanhadas por náuseas e vômitos, e chegam a durar até dois dias. Alguns indivíduos apresentam "aura", isto é, sintomas que precedem o início da dor, frequentemente caracterizados por alterações visuais, como visualização de pontos cintilantes ou mesmo a perda temporária da visão, principalmente na região periférica do campo visual. As crises são episódicas, recorrentes e com frequência muito variável. Há pessoas que relatam ter enxaqueca diariamente. Outras, uma vez por ano. 

No momento da crise, a dica é procurar um local tranquilo e com pouca luz e seguir as orientações médicas, incluindo os medicamentos prescritos para interromper a crise. 

Quais são os sintomas? 

• Dor pulsante e intensa de um dos lados da cabeça; 
• Náusea e/ou vômito; 
• Sensibilidade à luz e ao som; 
• Sensação de cansaço ou confusão mental. 

Como se faz o diagnóstico? 

Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, 93% dos casos de enxaqueca recebem diagnósticos imprecisos. Por isso, ao ter dores de cabeça, é preciso procurar um médico especialista em cefaleia. Não há outra forma de solucionar a questão a não ser buscar um neurologista e contar a ele como é a dor, sua frequência, intensidade e duração. Uma boa conversa, um exame físico cuidadoso e alguns exames complementares podem, inclusive, afastar outras causas de cefaleia. 

Quais são os tratamentos? 

Há muitos tratamentos disponíveis para a enxaqueca, divididos basicamente em duas categorias: os que agem durante a crise e os preventivos. Para ambos os tipos, utilizam-se medicamentos com diversos mecanismos de ação. Existe ainda a possibilidade da indicação da acupuntura, associada ou não aos medicamentos. E quem sofre com a enxaqueca não deve desanimar se os resultados de determinado tratamento não forem efetivos de imediato. "Às vezes, o primeiro medicamento não controla a dor e é preciso mudar", afirma Dutra. 

Como evitar as crises? 

• Se você tem dores de cabeça, procure um especialista para definir se tem enxaqueca; 

• Evite tomar medicamentos por conta própria, principalmente se estiver necessitando deles diariamente; 

• É muito importante lembrar-se do medicamento preventivo, pois é com ele que você pode evitar a dor; 

• Para o seu corpo se beneficiar com as ações de endorfina e serotonina, faça regularmente uma atividade física de que você goste; 

• Uma boa noite de sono e, se conseguir, alguns minutos de cochilo durante o dia são também medidas favoráveis; 

• Evite ficar muitas horas sem comer; 

• Evite recorrer ao cafezinho para "enganar" o estômago. 

Quais são os riscos da automedicação? 

Existem vários medicamentos sintomáticos para o controle da enxaqueca. Durante a crise, você corre o risco de ceder aos apelos das propagandas, ou pede uma sugestão de remédio a um amigo, e se medica por conta própria. Saiba que, se isso traz um alívio imediato, pode se transformar em um grande problema no futuro. O abuso de analgésicos acaba causando outro problema muito sério: a cefaleia crônica diária. "Essa cefaleia é muito mais difícil de ser tratada do que a enxaqueca porque modifica a reação do corpo às medicações e principalmente à dor. Se a pessoa não toma o remédio ou se o efeito do medicamento passa, a dor volta", alerta Dutra. 

Existem alimentos que podem desencadear a enxaqueca? 

Algumas substâncias, como o abuso da cafeína, por exemplo, facilitam o aparecimento da enxaqueca. Vários alimentos podem ser considerados desencadeantes de enxaqueca: queijos, iogurte, vinagre, nozes, amendoim, abacate, picles, laranja, limão, abacaxi, bebidas alcoólicas (em especial o vinho tinto), azeite extravirgem, carnes enlatadas, embutidos, chocolate, aspartame, café, chá e molho de soja são alguns deles. Entretanto, muitas vezes é difícil comprovar a associação dessa relação que deve ser, em sua maioria, individualizada. 

Fazer atividade física ajuda? 

Os exercícios físicos também podem ajudar a evitar as crises de enxaqueca (embora durante a crise não seja bom se exercitar). A atividade física aeróbica reduz também o estresse e ajuda a prevenir a enxaqueca. Sempre inicie o exercício de forma leve e aqueça devagar. Ao movimentar o corpo, são liberadas no organismo endorfina e serotonina, substâncias que trazem bem-estar e auxiliam no combate à dor. Além disso, considerando que a obesidade também é um fator relacionado às crises de enxaqueca, a atividade física regular lhe ajudará a manter ou reduzir seu peso. 

Serviço: 
Fleury Medicina e Saúde (www.fleury.com.br)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Conheça os benefícios nutricionais da batata-doce.


O amido e a fécula são as principais fontes de carboidratos na alimentação humana, em todo o mundo. Apesar dos dois termos serem comumente confundidos e a palavra amido ser utilizada para designar todos os carboidratos complexos de uma forma geral, há uma diferença sutil: o amido é extraído das partes aéreas comestíveis dos vegetais, enquanto a fécula advém das partes subterrâneas. Deste modo, temos “amido de milho” e “fécula de batata”.

Há diferentes espécies e cultivares de batata, todas densamente energéticas devido ao grande teor de fécula; a batata-inglesa é o exemplo mais popular de um tubérculo, que é a parte subterrânea arredondada do caule que funciona como reserva de energia para a planta; a batata-doce, por sua vez, é uma raiz tuberosa, muito mais desenvolvida do que os tubérculos e capaz de armazenar muito mais nutrientes, como vitaminas C e E, vitaminas do complexo B, cálcio, magnésio, ferro, fósforo, potássio e betacaroteno.

Além de mais nutritiva, a batata-doce é um vegetal rústico e de cultivo fácil e barato. Ela é cultivada desde as regiões mais secas às regiões tropicais, subtropicais ou temperadas, bem como protege melhor o solo de erosões em relação às culturas de milho, feijão e soja. Consumida nas Américas Central e do Sul há pelo menos dez mil anos, como atestam registros maias e resíduos ressecados, encontrados em cavernas peruanas, posteriormente foi introduzida na Europa por Cristóvão Colombo, sendo hoje produzida principalmente na Ásia.

Existem quatro tipos de batata-doce no Brasil, classificados segundo a cor da polpa: 1) a batata-branca (também denominada angola ou terra-nova) não é muito doce e apresenta polpa bem seca; 2) a batata-amarela também apresenta polpa seca, embora mais adocicada; 3) a batata-roxa apresenta casca e polpa dessa cor, sendo a mais apreciada pelo sabor e pelo aroma; 4) a batata-doce-avermelhada (conhecida pelos nordestinos como coração-magoado) tem casca parda e polpa amarela, com veios avermelhados ou mesmo roxos.

Enquanto a coloração amarelada deve-se à presença de betacaroteno, que possui ação antioxidante e previne certos tipos de câncer, a coloração arroxeada é formada pela deposição de antocianinas, pigmentos naturais com ação igualmente antioxidante, encontrados, por exemplo, também nas frutas vermelhas e na casca da jabuticaba.

A batata-inglesa, bastante difundida, é menos calórica, mas é rica em carboidratos de alto índice glicêmico, os quais fazem com que o pâncreas produza muita insulina, hormônio que conduz açúcar para dentro das células e, em excesso, incentiva o organismo a armazenar gordura, sobretudo na região abdominal.

A batata-doce, por outro lado, é rica em carboidratos complexos de baixo índice glicêmico que, digeridos e absorvidos lentamente, estimulam pouco a liberação de insulina, reduzindo o risco de diabetes, obesidade e, ainda, controlando o apetite. Um desses carboidratos é o amido resistente, que nem sequer sofre digestão e comporta-se como uma fibra insolúvel, atraindo moléculas de açúcar e gordura e retardando a sua absorção, evitando assim o aumento de LDL-colesterol, a fração nociva do colesterol, e de triglicerídeos.

O uso da batata-doce em preparações típicas das festas juninas e em combinação com mel, canela, coco e noz-moscada é bem conhecido. Porém, ela pode entrar em qualquer prato salgado em substituição à batata-inglesa, como purê, salada, sopa e bacalhoada. Embora a quantidade de calorias seja maior, a de nutrientes e compostos bioativos também é, exercendo, ao lado dos carboidratos de baixo índice glicêmico, ação antioxidante, desintoxicante, alcalinizante, anti-inflamatória e de combate ao ganho de peso, ao envelhecimento precoce e ao risco de desenvolvimento de doenças crônicas.

*Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

Referências Científicas:

1. GURGEL, C. S. S.; FARIAS, S. M. O. C.; FARIAS, L. R. G.; MOREIRA, R. T. Análise sensorial de sorvete de batata-doce. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais; 13(1): 21-26, 2011.

2. NABUCO, C. É batata… é doce, mas emagrece. Revista Boa Forma, p. 112-116, setembro 2012.

3. PERES, R. Batata-doce - o carboidrato do atleta. http://www.rodolfoperes.com.br/artigos-ler.php?cod=74&q=BATATA-DOCE-%96-O-CARBOIDRATO-DO-ATLETA.

4. SILVA, J. B. C.; LOPES, C. A.; MAGALHÃES, J. S. Cultura da batata-doce. http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/batatadoce/origem.htm.

5. SOUZA, A. B. Avaliação de cultivares de batata-doce quanto a atributos agronômicos desejáveis. Ciênc Agrotec; 24(4): 841-845, 2000.

6. VIEIRA, F. C. Efeito do tratamento com calor e baixa umidade sobre características físicas e funcionais dos amidos de mandioquinha-salsa (Arracacia xanthorrhiza), de batata-doce (Ipomoeba batatas) e de gengibre (Zingiber officinale). Dissertação (Mestrado em Ciências) - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba (SP), 2004.

7. VOLP, A. C. P.; RENHE, I. R. T.; BARRA, K.; STRINGUETA, P. C. Flavonoides antocianinas: características e propriedades na nutrição e saúde. Rev Bras Nutr Clin; 23(2): 141-149, 2008.

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