terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cuca fresca: veja dicas para evitar crises de enxaqueca

Boa parte da população mundial sofre de enxaqueca, a mais comum das dores de cabeça. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a moléstia é a 19ª que mais incapacita o ser humano. Sua prevalência no Brasil é de 15%, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia, e representa 35% das consultas neurológicas. A enxaqueca é três vezes mais comum nas mulheres do que nos homens e, embora não tenha cura, é possível conviver com ela e evitar as crises. 

O estresse da vida moderna muitas vezes enche a cabeça de preocupações e prejudica a qualidade de vida. Além disso, alimentação desregrada, abuso de bebidas alcoólicas, repouso insuficiente e, nas mulheres, oscilações hormonais cíclicas são fatores que, associados ou não a uma predisposição familiar, podem funcionar como gatilhos para crises de enxaqueca. 

Embora a real causa da enxaqueca ainda seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos e do cotidiano estejam associados à sua etiologia. Uma das hipóteses sugere possíveis alterações em regiões do tronco cerebral responsáveis pelo controle da dor, e em suas conexões com o nervo trigêmeo, principal via que conduz estímulos dolorosos provenientes da cabeça. Essas alterações baseiam-se em um desarranjo dos neurotransmissores, incluindo a serotonina, um dos mediadores envolvidos na regulação da dor no sistema nervoso. "A serotonina está diminuída nas crises de enxaqueca, o que pode levar à liberação de substâncias chamadas neuropeptídeos pelo nervo trigêmeo, desencadeando todas as mudanças cerebrais e neurovasculares que ocorrem na enxaqueca", explica o neurologista Aurélio Dutra, coordenador do Centro Diagnóstico Integrado de Neurologia e Medicina do Sono do Fleury Medicina e Saúde. 

ReproduçãoEnxaqueca é sinônimo de dor de cabeça? 

A dor de cabeça ou "cefaleia" é um sintoma que pode ter diversas etiologias, ou seja, pode ser desencadeada por diversos fatores. A enxaqueca é um dos tipos de dor de cabeça, com mecanismos próprios. Com base na descrição clínica e nos sintomas associados, é possível fazer o diagnóstico de enxaqueca. 

Quem tem esse tipo de cefaleia, habitualmente descreve a dor como pulsante ou em pontadas, acometendo um dos lados da cabeça, podendo, contudo, afetá-la por inteiro. A dor varia de moderada – quando causa incômodo e atrapalha as atividades do dia a dia – a intensa, capaz de impossibilitar as suas atividades diárias. Associada à dor, é comum que essas pessoas refiram sensibilidade à luz (fotofobia) ou ao som (fonofobia). Além disso, as crises podem vir acompanhadas por náuseas e vômitos, e chegam a durar até dois dias. Alguns indivíduos apresentam "aura", isto é, sintomas que precedem o início da dor, frequentemente caracterizados por alterações visuais, como visualização de pontos cintilantes ou mesmo a perda temporária da visão, principalmente na região periférica do campo visual. As crises são episódicas, recorrentes e com frequência muito variável. Há pessoas que relatam ter enxaqueca diariamente. Outras, uma vez por ano. 

No momento da crise, a dica é procurar um local tranquilo e com pouca luz e seguir as orientações médicas, incluindo os medicamentos prescritos para interromper a crise. 

Quais são os sintomas? 

• Dor pulsante e intensa de um dos lados da cabeça; 
• Náusea e/ou vômito; 
• Sensibilidade à luz e ao som; 
• Sensação de cansaço ou confusão mental. 

Como se faz o diagnóstico? 

Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, 93% dos casos de enxaqueca recebem diagnósticos imprecisos. Por isso, ao ter dores de cabeça, é preciso procurar um médico especialista em cefaleia. Não há outra forma de solucionar a questão a não ser buscar um neurologista e contar a ele como é a dor, sua frequência, intensidade e duração. Uma boa conversa, um exame físico cuidadoso e alguns exames complementares podem, inclusive, afastar outras causas de cefaleia. 

Quais são os tratamentos? 

Há muitos tratamentos disponíveis para a enxaqueca, divididos basicamente em duas categorias: os que agem durante a crise e os preventivos. Para ambos os tipos, utilizam-se medicamentos com diversos mecanismos de ação. Existe ainda a possibilidade da indicação da acupuntura, associada ou não aos medicamentos. E quem sofre com a enxaqueca não deve desanimar se os resultados de determinado tratamento não forem efetivos de imediato. "Às vezes, o primeiro medicamento não controla a dor e é preciso mudar", afirma Dutra. 

Como evitar as crises? 

• Se você tem dores de cabeça, procure um especialista para definir se tem enxaqueca; 

• Evite tomar medicamentos por conta própria, principalmente se estiver necessitando deles diariamente; 

• É muito importante lembrar-se do medicamento preventivo, pois é com ele que você pode evitar a dor; 

• Para o seu corpo se beneficiar com as ações de endorfina e serotonina, faça regularmente uma atividade física de que você goste; 

• Uma boa noite de sono e, se conseguir, alguns minutos de cochilo durante o dia são também medidas favoráveis; 

• Evite ficar muitas horas sem comer; 

• Evite recorrer ao cafezinho para "enganar" o estômago. 

Quais são os riscos da automedicação? 

Existem vários medicamentos sintomáticos para o controle da enxaqueca. Durante a crise, você corre o risco de ceder aos apelos das propagandas, ou pede uma sugestão de remédio a um amigo, e se medica por conta própria. Saiba que, se isso traz um alívio imediato, pode se transformar em um grande problema no futuro. O abuso de analgésicos acaba causando outro problema muito sério: a cefaleia crônica diária. "Essa cefaleia é muito mais difícil de ser tratada do que a enxaqueca porque modifica a reação do corpo às medicações e principalmente à dor. Se a pessoa não toma o remédio ou se o efeito do medicamento passa, a dor volta", alerta Dutra. 

Existem alimentos que podem desencadear a enxaqueca? 

Algumas substâncias, como o abuso da cafeína, por exemplo, facilitam o aparecimento da enxaqueca. Vários alimentos podem ser considerados desencadeantes de enxaqueca: queijos, iogurte, vinagre, nozes, amendoim, abacate, picles, laranja, limão, abacaxi, bebidas alcoólicas (em especial o vinho tinto), azeite extravirgem, carnes enlatadas, embutidos, chocolate, aspartame, café, chá e molho de soja são alguns deles. Entretanto, muitas vezes é difícil comprovar a associação dessa relação que deve ser, em sua maioria, individualizada. 

Fazer atividade física ajuda? 

Os exercícios físicos também podem ajudar a evitar as crises de enxaqueca (embora durante a crise não seja bom se exercitar). A atividade física aeróbica reduz também o estresse e ajuda a prevenir a enxaqueca. Sempre inicie o exercício de forma leve e aqueça devagar. Ao movimentar o corpo, são liberadas no organismo endorfina e serotonina, substâncias que trazem bem-estar e auxiliam no combate à dor. Além disso, considerando que a obesidade também é um fator relacionado às crises de enxaqueca, a atividade física regular lhe ajudará a manter ou reduzir seu peso. 

Serviço: 
Fleury Medicina e Saúde (www.fleury.com.br)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Conheça os benefícios nutricionais da batata-doce.


O amido e a fécula são as principais fontes de carboidratos na alimentação humana, em todo o mundo. Apesar dos dois termos serem comumente confundidos e a palavra amido ser utilizada para designar todos os carboidratos complexos de uma forma geral, há uma diferença sutil: o amido é extraído das partes aéreas comestíveis dos vegetais, enquanto a fécula advém das partes subterrâneas. Deste modo, temos “amido de milho” e “fécula de batata”.

Há diferentes espécies e cultivares de batata, todas densamente energéticas devido ao grande teor de fécula; a batata-inglesa é o exemplo mais popular de um tubérculo, que é a parte subterrânea arredondada do caule que funciona como reserva de energia para a planta; a batata-doce, por sua vez, é uma raiz tuberosa, muito mais desenvolvida do que os tubérculos e capaz de armazenar muito mais nutrientes, como vitaminas C e E, vitaminas do complexo B, cálcio, magnésio, ferro, fósforo, potássio e betacaroteno.

Além de mais nutritiva, a batata-doce é um vegetal rústico e de cultivo fácil e barato. Ela é cultivada desde as regiões mais secas às regiões tropicais, subtropicais ou temperadas, bem como protege melhor o solo de erosões em relação às culturas de milho, feijão e soja. Consumida nas Américas Central e do Sul há pelo menos dez mil anos, como atestam registros maias e resíduos ressecados, encontrados em cavernas peruanas, posteriormente foi introduzida na Europa por Cristóvão Colombo, sendo hoje produzida principalmente na Ásia.

Existem quatro tipos de batata-doce no Brasil, classificados segundo a cor da polpa: 1) a batata-branca (também denominada angola ou terra-nova) não é muito doce e apresenta polpa bem seca; 2) a batata-amarela também apresenta polpa seca, embora mais adocicada; 3) a batata-roxa apresenta casca e polpa dessa cor, sendo a mais apreciada pelo sabor e pelo aroma; 4) a batata-doce-avermelhada (conhecida pelos nordestinos como coração-magoado) tem casca parda e polpa amarela, com veios avermelhados ou mesmo roxos.

Enquanto a coloração amarelada deve-se à presença de betacaroteno, que possui ação antioxidante e previne certos tipos de câncer, a coloração arroxeada é formada pela deposição de antocianinas, pigmentos naturais com ação igualmente antioxidante, encontrados, por exemplo, também nas frutas vermelhas e na casca da jabuticaba.

A batata-inglesa, bastante difundida, é menos calórica, mas é rica em carboidratos de alto índice glicêmico, os quais fazem com que o pâncreas produza muita insulina, hormônio que conduz açúcar para dentro das células e, em excesso, incentiva o organismo a armazenar gordura, sobretudo na região abdominal.

A batata-doce, por outro lado, é rica em carboidratos complexos de baixo índice glicêmico que, digeridos e absorvidos lentamente, estimulam pouco a liberação de insulina, reduzindo o risco de diabetes, obesidade e, ainda, controlando o apetite. Um desses carboidratos é o amido resistente, que nem sequer sofre digestão e comporta-se como uma fibra insolúvel, atraindo moléculas de açúcar e gordura e retardando a sua absorção, evitando assim o aumento de LDL-colesterol, a fração nociva do colesterol, e de triglicerídeos.

O uso da batata-doce em preparações típicas das festas juninas e em combinação com mel, canela, coco e noz-moscada é bem conhecido. Porém, ela pode entrar em qualquer prato salgado em substituição à batata-inglesa, como purê, salada, sopa e bacalhoada. Embora a quantidade de calorias seja maior, a de nutrientes e compostos bioativos também é, exercendo, ao lado dos carboidratos de baixo índice glicêmico, ação antioxidante, desintoxicante, alcalinizante, anti-inflamatória e de combate ao ganho de peso, ao envelhecimento precoce e ao risco de desenvolvimento de doenças crônicas.

*Texto elaborado pelo depto. científico da VP Consultoria Nutricional

Referências Científicas:

1. GURGEL, C. S. S.; FARIAS, S. M. O. C.; FARIAS, L. R. G.; MOREIRA, R. T. Análise sensorial de sorvete de batata-doce. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais; 13(1): 21-26, 2011.

2. NABUCO, C. É batata… é doce, mas emagrece. Revista Boa Forma, p. 112-116, setembro 2012.

3. PERES, R. Batata-doce - o carboidrato do atleta. http://www.rodolfoperes.com.br/artigos-ler.php?cod=74&q=BATATA-DOCE-%96-O-CARBOIDRATO-DO-ATLETA.

4. SILVA, J. B. C.; LOPES, C. A.; MAGALHÃES, J. S. Cultura da batata-doce. http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/batatadoce/origem.htm.

5. SOUZA, A. B. Avaliação de cultivares de batata-doce quanto a atributos agronômicos desejáveis. Ciênc Agrotec; 24(4): 841-845, 2000.

6. VIEIRA, F. C. Efeito do tratamento com calor e baixa umidade sobre características físicas e funcionais dos amidos de mandioquinha-salsa (Arracacia xanthorrhiza), de batata-doce (Ipomoeba batatas) e de gengibre (Zingiber officinale). Dissertação (Mestrado em Ciências) - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba (SP), 2004.

7. VOLP, A. C. P.; RENHE, I. R. T.; BARRA, K.; STRINGUETA, P. C. Flavonoides antocianinas: características e propriedades na nutrição e saúde. Rev Bras Nutr Clin; 23(2): 141-149, 2008.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ácido Fólico e a Alimentação na Gestação

Você sabia que o que come durante a gravidez pode influenciar a alimentação do seu filho a vida inteira? 

Isso mesmo. Alguns estudos mostram que se a mãe tem, por exemplo, um alto consumo de gordura na gestação, é provável que o filho também terá uma alimentação direcionada para esse “nutriente”.

 
O mais importante é que uma má alimentação pode interferir na formação do bebê, já que diversos nutrientes são fundamentais para a sua saúde. Um grande exemplo disso é o ácido fólico.


O ácido fólico é importante também pois durante a gestação ele pode “silenciar” alguns genes propagadores de doenças. Essa ação genética pode se estender para 3 gerações futuras da criança, tudo a partir do que é consumido pela mãe durante a gravidez. 

Assim como o ácido fólico, outros nutrientes são importantíssimos para essa finalidade:  colina, betaina,  taurina, zinco, magnésio, entre outros.

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